Chama

        Chama,
        Acende a chama do salão e sente o drama
        A trama toda, a imensidão e se derrama
        Porque aqui tudo que se faz ecoa

        Voa,
        E vem querendo sem querer e se amontoa
        Nessa vontade que arrebata a pessoa
        Porque aqui tudo que se faz emana

        Tutututu tudo vai bem
        Confia que a luz que ganha a escuridão já vem
        Nananana nada ou ninguém
        Pode apagar a chama que nos mantém

        Jogue duro,
        E de tijolo em tijolo cai o muro
        Porque o destino escreve a lápis o futuro
        E aqui tudo que se faz emana

        Fama,
        A grana, o grama, a foda, a foto te engana
        Mas a alegria de estar com quem se ama
        É 100% sentimento puro

        Soco na mente,
        Farpa na mão, peteleco no dente
        Maçã da serpente no clima envolvente
        Você sem reposta e a pergunta na frente
        Não me desmonte, fé no horizonte
        Jah tá com a gente fazendo a ponte
        Em cada habitante um alto-falante
        Mundo doente, mas vamo adiante
        Resiliente,
        Mata no peito e bola pra frente!
        Mata no peito e

        Voa
        E vem querendo sem querer e se amontoa
        Nessa vontade que arrebata a pessoa
        Porque aqui tudo que se faz emana

        Tutututu tudo vai bem
        Confia que a luz que ganha a escuridão já vem
        Nananana nada ou ninguém
        Pode apagar a chama que nos mantém



        Fé no Afeto

        Reto,
        Avante com fé no afeto
        Sob o sol a pino escaldante
        Estando miúdo ou gigante, dia a dia ofegante
        Mas vamo que

        Fala,
        Atabaque, tambor, não se cala
        Dançando como mestre-sala
        Percebe o lugar dessa fala, melhor que dar pála
        E vamo que

        Chora a mãe, toca o ogã
        Quilombo e aldeia orando a Tupã
        Falta justiça, falta feijão
        E aí tudo grita e ninguém tem razão

        Atividade na laje neguin,
        Tô pelo bonde e o bonde por mim
        Há quem ataque pra se defender
        Ouvi por aí: “Não vai ter Namastê”

        Se chover, deixa molhar
        Se ferver, deixa queimar

        Eta!
        Tamo vivo e não queremo treta
        Botando o peso na caneta
        Fevereiro dançando “Tieta”, quebrando ampulheta
        Sentindo o

        Baque!
        Granada de amor, contra-ataque
        Na Síria, Tijuca ou Iraque
        Por nós sem perder o sotaque, sem dar piripaque
        Por isso que

        Atividade na laje neguin,
        Tô pelo bonde e o bonde por mim
        Há quem ataque pra se defender
        Ouvi por aí: “Não vai ter Namastê”

        Chora a mãe, toca o ogã
        Quilombo e aldeia orando a Tupã
        Falta justiça, falta feijão
        E aí tudo grita e ninguém tem razão

        Se chover, deixa molhar
        Se ferver, deixa queimar


        Free Som

        Vai
        Sintoniza que atrai
        Papo torto, abstrai
        Sente o som do tambor

        Cai
        Babilônia queimai
        Nada nosso, kanpai
        Dividiu, deu valor

        Sei
        Que o festejo é de lei
        Batucada e delay
        Sincerão, sem kaô

        Hey
        Nem vassalo nem rei
        Joga o jogo, FairPlay
        Me dá corda que eu vou

        Quando a massa celebra é Free Som
        Eclosão pelo chão, pelo ar
        Se amassa que o baile tá bom
        Toda a raça no mesmo lugar

        Faz,
        Tira o barco do cais
        Quando menos é mais
        Você sente o sabor

        Traz,
        A união satisfaz
        O mulão pede a paz
        Liquidifica a dor

        Vês,
        Quem escreve essas leis
        Não, não foram vocês
        Foi o velho complô

        Três,
        Vezes a lucidez
        Contra toda acidez
        Contra todo temor

        Quando a massa celebra é Free Som
        Eclosão pelo chão, pelo ar
        Se amassa nesse reggaeton
        Toda a raça no mesmo lugar

        Sob o Céu

        Mora,
        Onde não existe espaço e hora
        Onde não existe dentro e fora
        Onde Deus é Mãe e homem chora
        Pensamento não traduz

        Bora,
        Antes de chegar a luz da aurora
        Se é pra viver então vive agora
        Demorô amor, mas não demora
        Quando o coração conduz

        Sob o céu somos um
        Cada qual no seu tom
        À procura de algum
        E lá vamos com som

        Liquidificador

        É pra dançar, é pra dançar
        É pra subir, é pra subir
        Pra misturar, pra misturar
        Pra diluir, pra diluir

        E é pra dançar, e é pra subir
        Cantando Amor
        É pra misturar, é pra diluir
        Em toda cor
        É pra balançar, é pra sacudir
        Cantando Amor
        É pra misturar, é pra diluir
        Em toda cor

        Vem que vem
        Vem que tem, amor
        Que ninguém vai se opor

        Joga tudo no liquidificador
        E, joga tudo e então liquidifica a dor
        Joga tudo no liquidificador
        E, joga tudo e então liqui

        Ande

        Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
        Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
        Coragem no incerto do universo que se expande

        Bora, nego! Bora que a Vida anda pra frente
        E se ficar pequeno pra gente
        A Caravana caminhará
        É os pirraia na praia, mandando rabo-de-arraia
        Ligeiro tipo Jiraya, é pique nosso
        Vivendo a Vida no talo, bebendo Amor no gargalo
        Eu agradeço: “Mahalo!”, faço o que posso

        Balança, balança, mas não cai
        E avança na dança, mas não cai
        Balança, balança, balança, balança, não cai
        E avança na dança, a esperança na andança que vai, então

        Ande
        Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
        Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
        Coragem no incerto do universo que se expande

        Quando nego chora pesado é pra ficar leve
        É por alguma coisa que eleve
        A criatura é criadora
        Patriarcado, família, bagulho sério na Síria
        Televisão bota pilha, ma people cry
        Periferia resiste, quando o sotaque persiste
        Pois tudo aquilo que existe, you can’t deny

        Balança, balança, mas não cai
        E avança na dança, mas não cai
        Balança, balança, balança, balança, não cai
        Avança na dança, e esperança na andança que vai, então

        Ande
        Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
        Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
        Coragem no incerto do universo que se expande

        Selecta

        Geral tá convocado hoje tem sessão
        Selecta ligado, faz a transição
        Cê é loko! Que bailado, desacreditei
        Só o nectar lançado, chama no delay
        O grave quanto bate levanta o mulão
        Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
        Geral tá convocado hoje tem sessão
        É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

        Quando cai a noite, cada coração
        Pede poesia, pede mais que pão
        É transpirando a existência, que é pra dar vazão
        Tristeza e aflição não pagam conta não
        Quero saúde e paz, o resto eu corro atrás
        Sei que a consciência cobra, e é o maior dos tribunais

        Quero é Vida! Vida vivendo em nós
        Na batida, em melodia e voz

        Geral tá convocado hoje tem sessão
        Selecta ligado, faz a transição
        Cê é loko! Que bailado, desacreditei
        Só o nectar lançado, chama no delay
        O grave quanto bate levanta o mulão
        Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
        Geral tá convocado hoje tem sessão
        É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

        Só chegar chegando, chega no riddim
        Sempre respeitando quem não tá afim
        Coloca um auto-falante e a gente faz motim
        Redimindo a rua, nego não tem fim
        Dançando dance hall, depois do por do sol
        Porque só misturando tudo haverá o overall

        E a Vida! Vida vivendo em nós
        Na batida, em melodia e voz

        Geral tá convocado hoje tem sessão
        Selecta ligado, faz a transição
        Cê é loko! Que bailado, desacreditei
        Só o nectar lançado, chama no delay
        O grave quanto bate levanta o mulão
        Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
        Geral tá convocado hoje tem sessão
        É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

        Moldado em Barro

        Moldado em barro eu vim
        Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
        É o que eu digo pra mim
        Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
        Com rima ou sem rima o refrão
        O sangue latino deixa genuíno o som
        Guerreiro na Babylon
        Talha seu destino, é por desatino ou não

        Lokitran, sedafô, hoje eu não vou marfu
        Dodiban, cialipô, vi no Grajaú
        Online desde 83, índio, negro e português
        Vi tijolo, vi traçante, vi asfalto, vi porquês
        Graças a Deus tive casa e colégio
        Aqui no Brasil isso é privilégio
        Pra classe média do play desse prédio
        Pensar coletivo não é o remédio
        Tupi tava aqui antes da caravela
        Zumbi nunca vi de camisa amarela
        A escravidão ainda deixa sequela
        Quem vive a mazela da sela é a favela

        Moldado em barro eu vim
        Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
        É o que eu digo pra mim
        Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
        Com rima ou sem rima o refrão
        O sangue latino deixa genuíno o som
        Guerreiro na Babylon
        Talha seu destino, é por desatino ou não

        Très bien, meu amor, honey, mon amour
        De manhã trovoou com o céu azul
        Parada paradoxal, figurado ou literal
        Eu e tu de urucum pra estourar no carnaval
        São Sebastião tem floresta e granito
        Ostentação eu não acho bonito
        Subversivo é um pobre erudito
        Vitória mental não se ganha no grito
        Se perde o foco ou se bate o vazio
        Água salgada renova teu brio
        Na frente do bloco ou do lado do trio
        Pra ser feliz não precisa elogio

        Moldado em barro eu vim
        Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
        É o que eu digo pra mim
        Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
        Com rima ou sem rima o refrão
        O sangue latino deixa genuíno o som
        Guerreiro na Babylon
        Talha seu destino, é por desatino ou não

        Ela me chamou para dançar um ragga

        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

        Sumiu todo mundo, só nós no salão
        Colado sentia a sua respiração
        Suou a parede, fez tremer o chão
        Sintonia fina que dispensa explicação
        Cheia de ironia, me deixou sem graça
        Gengibre e Gabriela em frente ao Bar da Cachaça
        Recitou Pessoa, falou de Bakunin
        Ela é o presente que o acaso deu pra mim

        E aumentou o meu tesão na vida
        Poder de agir, o meu elã vital
        Não tenho medo dessa despedida
        Por mim não tem final, porque

        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

        Puro equilíbrio, só fuma quando bebe
        Definitivamente esse gata não é lebre
        Ela é pra frente, e me põe pra cima
        Repõe minhas reservas de pura serotonina
        Ela é legalize, evolucionista
        Acho que acabaram os meus dias de pista
        Ouve dubwise, Milton, Tom Jobim
        Ela é o presente que o acaso deu pra mim

        E aumentou o meu tesão na vida
        Poder de agir, o meu elã vital
        Não tenho medo dessa despedida
        Por mim não tem final

        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
        Ela me chamou para dançar um ragga
        Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

        Tijolo por tijolo

        Laje de cimento, teto de estrela
        Sopra aquele vento pela janela
        Sob o firmamento posso encontrá-la
        Vê-la viva ali, naquela viela

        A carne é só a carne, e um dia apodrece
        Forte é a jangada, eterna é a prece
        Quando vê nascer, dentro do seu ser
        É justo temer, mas não vou fugir

        Na força do meu protetor
        Xangô ou Senhor do Bonfim
        Tijolo por tijolo eu vou
        E que o destino venha em mim

        A natureza grita, a espécie procria
        Muita trêta, fita, dor e alegria
        Quem pula o portão? Quem morde a parede?
        Isopor, Litrão, que o povo tem sede

        Tomara que um dia, que um dia meu deus tomara
        Tomara que o destino olhe dentro da minha cara
        Quando vir nascer, dentro do meu ser
        Posso até temer, mas não vou fugir

        Na força do meu protetor
        Xangô ou Senhor do Bonfim
        Tijolo por tijolo eu vou
        E que o destino venha em mim

        Chão Chão Terra Terra

        Amor não tem sinônimo
        Alma não tem gênero
        Poder não é virtude
        E a vida é sopro efêmero
        Chão, Chão. Terra, Terra
        O ser humano erra

        Chão, Chão. Terra, Terra
        O ser humano erra
        Macaco semideus, que ama os seus
        E faz a guerra
        No vagão lotado, o artista improvisa
        Telas planas te vendendo o que você não precisa
        No vagão lotado, angústia não tem cor
        É rosto cansado, esperança e camelô
        Uns querem viver, batalhar e crescer
        Outros tem prazer em ver neguinho perder
        Pensamento limitado, chame como for
        Espírito de porco no chiqueiro do rancor
        Contra qualquer perverso é rajada de verso
        E a fé inabalável na justiça do universo

        Amor não tem sinônimo
        Alma não tem gênero
        Poder não é virtude
        E a vida é sopro efêmero
        Chão, Chão. Terra, Terra
        O ser humano erra

        Pré-conceito e Pós-verdade
        No gueto e no gold, a vida arde
        Liquida modernidade, encruzilhada
        Nem a máscara mais cara não mascara nada
        Onde filho chora e a mãe chora junto
        Aos 12 um moleque já cansou de ver defunto
        E de barriga vazia, não tem ideologia
        Nada a perder, nem por favor e nem bom-dia
        Quando você chora e não sai lágrima
        Quando você grita e não sai som
        Quando você vai e vira a página
        Constrói seu propósito, seu dom

        Amor não tem sinônimo
        Alma não tem gênero
        Poder não é virtude
        E a vida é sopro efêmero
        Chão, Chão. Terra, Terra
        O ser humano erra

        Dubrasilis

        Música instrumental.

        Racha Canela

        A noite vai e a estação dá o tom
        No funk, dub, ragga ou no reggaeton
        Racha canela e vai perdendo o batom
        E é só colar que aqui ninguém fica alone

        Então vem, vem trocar seu calor
        Pois, meu bem, não há tempo pra dor
        No meio da multidão
        A dança é oração

        Não tem pulseira, nem crachá, nem log-in
        Fala Tupi, Iorubá ou Latim
        Simples assim: não é não, sim é sim
        Cuido de tu e você cuida de mim

        Então vem, vem trocar seu calor
        Pois, meu bem, não há tempo pra dor
        No meio da multidão
        A dança é oração

        Sem neurose,
        É a batida que te causa hipnose
        É o som do sub, samba, soul, simbiose
        Subliminando essa terra em transe
        Quando a semente brota
        É cor que não desbota
        Aprendo na derrota
        A linha dela é torta
        Tem os NÃO que a Vida dá, e as coisas por viver
        Faz o corre e vamo lá, não perco tempo de blasé
        O mundo se acabando e a gente vai, vai, vai
        Vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie
        Toda babilônia um dia cai, cai, cai
        Vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie

        Então vem, vem trocar seu calor
        Pois, meu bem, não há tempo pra dor
        No meio da multidão
        A dança é oração

        Exército sem farda - Sister Nancy

        Não,
        A nossa vitória não vai ser em vão
        O exército sem farda tá na contenção
        Sem líder, sem fronteira, só o coração
        One, each one teach one
        Each one teach one
         
        Se a nossa tropa cai, levanta e segue adiante
        Pelotão de frente, pensamento dissonante
        Marchamos calmamente, não paramos um instante
        Força não armada, o bom senso é o comandante

        Vamos com paciência e constância na missão
        Somos da resistência, não cedemos à pressão
        O sábio combatente traz na mente a munição
        Somos da resistência e não cedemos

        Não,
        A nossa vitória não vai ser em vão
        O exército sem farda tá na contenção
        Sem líder, sem fronteira, só o coração
        One, each one teach one
        Each one teach one

        I say love is the key, love is the answer
        Love is the answer and no war can’t conquer
        Live the life you love, and I say love the life you live
        As Jah have the mind to give
        I say patient man ride donkey
        Rasta no need no anky panky
        Sing and tell them
        Tell then this is Sister Nancy

        Vamos com paciência e constância na missão
        Somos da resistência, não cedemos à pressão
        O sábio combatente traz na mente a munição
        Somos da resistência e não cedemos

        Não,
        A nossa vitória não vai ser em vão
        O exército sem farda tá na contenção
        Sem líder, sem fronteira, só o coração
        Each one teach one
        Each one teach one

        No one is better than no one
        No man is no different from no one
        Each one teach one
        Each one teach one

        Qual é o rosto de Deus

        A Trama do Tempo, a carne viva e a ferida
        Não sei se a vida é justa, mas tá aí pra ser vivida
        Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde
        Enquanto um problema for uma oportunidade

        Vento Sudoeste que acinzenta a paisagem
        Trás a frente fria e à chuva dá passagem
        Sei bem porque vieste, há muito eu já sabia
        Nem tudo é céu azul e há também melancolia

        Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
        Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
        (Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
        Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

        Ô, Luz!
        É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
        Diz pra mim qual é o rosto de Deus
        Talvez seja o seu, talvez seja o meu
        Ô, Nada! Ô, Tudo! Ô, Luz!

        Como se você já houvesse perdido tudo
        Mesmo se no fundo nunca houvesse tido nada
        Despido do escudo e de uma tonelada
        Um sofrimento agudo, ferida cicatrizada

        Tudo sempre certo, quase nada resolvido
        Com rima ou sem rima, pra encontrar o seu motivo
        Lutar por uma causa, amar, criar um filho
        Compreender o ego ou buscar o próprio brilho

        Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
        Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
        (Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
        Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

        Ô, Luz!
        É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
        Diz pra mim qual é o rosto de Deus
        Talvez seja o seu, talvez seja o meu
        Ou nada, ou tudo, ou luz

        Viver com a urgência de que houvesse uma só vida
        E a paciência leve de que a Vida é infinita
        Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde
        Enquanto um problema for uma oportunidade

        Quero poesia que preencha o meu peito
        Pra me provocar, pra perceber o meu defeito
        Uma poesia pra fortalecer a meta
        Aquilo que te faça acelerar a bicicleta


        Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
        Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
        (Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
        Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

        Ô, Luz!
        É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
        Diz pra mim qual é o rosto de Deus
        Talvez seja o seu, talvez seja o meu
        Ô, Nada! Ô, Tudo! Ô, Luz!

        Segue o Baile

        Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

        Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

        O agora é a única coisa que vale

        Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile


        Segue o baile, segue a vibe até o amanhecer

        Que momento! No talento, faz por merecer

        Troca o disco, corre o risco, e vamo sem dublê

        À mercê do que não se pode prever


        A massa reunida é um lazer só

        Vagabundo se diverte on the floor

        Seguindo a embolada, vai no reggae, vem no ragga,

        Grajamaica na pegada hardcore

        Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

        Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

        O agora é a única coisa que vale

        Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile


        Segue o baile, segue a vibe, nous sommes arrivés

        E a danada da cachaça é massa, faz arder

        Eu respeito e dou direito a quem quer karatê

        Mas eu só fico no thc

        A massa reunida é o estopim

        Vale muito mais que ouro e marfim

        Fluindo na jornada, não se compra, não se paga

        A emoção que diz: “Ainda bem que eu vim”


        Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

        Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

        O agora é a única coisa que vale

        Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile

        Oxalá

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        Consultei os astros para entender
        Lua cheia, eu me batizei no mar

        Habeas Corpus moral, apneia mental
        Imperativo espiritual
        O fogo queima, o coral corta
        Se não há risco a criatura é morta
        Só você pode se conhecer
        Seu equilíbrio, sua verdade
        Se aquele instinto é uma necessidade
        E a trindade nesse trinômio:
        Você, seus anjos e seus demônios

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        Consultei os astros para entender
        Lua cheia, eu me batizei no mar

        O que eu estou fazendo da minha vida?

        O que eu estou fazendo da minha vida?
        Lambendo a carne viva com o dedo na ferida
        Brindando a existência e aprendendo a distinguir
        A hora de refrear, a hora de transgredir
        Chorando minhas dores, moldando meus valores
        Tacou pedra, finto a pedra. Tacou flores, voltam flores
        É uma linha tênue, é menos que um semitom
        Quando o bom não é o certo, quando o certo não é bom

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        Consultei os astros para entender
        Lua cheia, eu me batizei no mar

        Ah minha vida toda! Um ato de desapego
        Do corpo, do casamento, do parente, do emprego
        Fé é confiança, no que quer que se invista
        Tem fé o ateu, tem fé o cientista
        Me curvo humildemente ante aquilo que não sei
        Acredito no Amor, ganho o jogo no fair play
        Só não espero a providência pra encontrar a minha essência
        Pois não há um salvador que nos tire essa incumbência

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        Consultei os astros para entender
        Lua cheia, eu me batizei no mar

        Normal pt. Monkey Jhayam

        Quebrando paradigma para não ficar dormente
        Diante do enigma ou mero acidente
        Nossa força é digna, é o elo da corrente

        Sorte,
        Na disposição a gente dropa e põe no corte
        Sangue e suor vêm incluídos no pacote
        Tamo protegido e atento ao rebote
        Rio de Janeiro, parceiro, tem que ter

        Sorte,
        Mesmo sendo ateu tu pode crer que o santo é forte
        Moro lá na sul, mas com sangue da zona norte
        Bonde onde o lema é independência ou morte
        Rio de janeiro, parceiro, é

        Normal, chega na humilde que é tratado igual
        Ligação direta que não tem ramal
        Sente a atmosfera, relaxa se pá espera
        Vem com garra e na cautela, aí fera, não leve à mal

        Normal, chega na humilde que é tratado igual
        Ligação direta que não tem ramal
        Sente a atmosfera, o surdo que reverbera
        Tipo a série em Zicatela, é à vera, é normal

        Quebrando paradigma para não ficar dormente
        Diante do enigma ou mero acidente
        Nossa força é digna, é o elo da corrente

        Rio de Janeiro, São Paulo, Brasil
        Palavra que fere mais que bala de fuzil
        Munição no pente, pronto para atirar
        Se apertar o gatilho não tem volta
        Puro Faya! Levando a mensagem no hardcore ou no naya
        Contra o sistema que ramela e só da falha
        Mira direcionada pra toda maracutaia
        Com nós e no fio da navalha
        Brasa viva que queima a babylon
        Se espalha como lava de vulcão
        Fogo ardente que dispara o canhão
        Trazendo autoestima para todos irmãos
        Saia, esse jogo político te leva ao nada
        Nossa música crava estaca no vampaia
        Toda a corja do mal que quer ver meu povo na lama
        Nunca possuirão nossa alma

        Quebrando paradigma para não ficar dormente
        Diante do enigma ou mero acidente
        Nossa força é digna, é o elo da corrente

        Rema!
        O ser é um artista e a vida é seu poema
        E essa mesma vida é curta pra ser pequena
        Dentro dele próprio está a chave da algema
        Tamo nessa GIG, então vive, se joga e

        Rema!
        Vou dançar descalço na brasa da Mãe suprema
        Mando ir embora a culpa que envenena
        Tá tudo perdoado, sintonizo minha antena
        Calma no terreiro, guerreiro, que é

        Normal, chega na humilde que é tratado igual
        Ligação direta que não tem ramal
        Sente a atmosfera, relaxa se pá espera
        Vem com garra e na cautela, aí fera, não leve à mal

        Normal, chega na humilde que é tratado igual
        Ligação direta que não tem ramal
        Sente a atmosfera, o surdo que reverbera
        Tipo a série em Zicatela, é à vera, é normal

        Quebrando paradigma para não ficar dormente
        Diante do enigma ou mero acidente
        Nossa força é digna, é o elo da corrente

        Embrasa

        E eu vou pra Maracangalha
        Bailar depois da batalha
        E eu vou pra Maracangalha
        Viver e fazer que valha

        Embrasa, sente em casa, que tá bom pra mim
        Passa bola, não enrola que hoje eu tô afim
        Abre a roda que tá foda, vai mexendo assim
        Arrasta a sandália e vai no passim
        Se afasta energia nefasta
        Que o tempo se arrasta pro fim
        Se mostra com a alma exposta
        Não espere resposta de mim
        Já basta de canalha e coisa ruim
        Morde a faca, pé na jaca
        E vai descendo assim
        Eu me perco quando ela mexe o bumbumbum
        Se o amigo tá zerado faz um ratatá
        E se os homi vem e chegam é um zumzumzum
        E falar mal do sistema é um pega pra capar

        E eu vou pra Maracangalha
        Bailar depois da batalha
        E eu vou pra Maracangalha
        Viver e fazer que valha

        A vida tá sofrida pros sem abadá
        Cruel é o aluguel e as contas pra pagar
        Pesado o mercado e o IPCA
        Mas me esforço, tudo nosso, sem colher de chá
        Artista terceiro mundista
        O som é pra pista embrasar
        Ô glória! Façamos história
        Que a nossa vitória é pra já
        Porque estar vivo é motivo pra comemorar
        Em frente, bravamente, que pra trás não dá

        E é só alegria se o bagulho é do bom
        Lá do baile em Madureira ao barzim no Leblon
        Quero ver acelerar e acompanhar o debom
        Porque quase todo dia é dia de réveillon

        E eu vou pra Maracangalha
        Bailar depois da batalha
        E eu vou pra Maracangalha
        Viver e fazer que valha

        Easy Road pt. Mikal Rose

        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Burning bright
        You know you got to burn bright
        Burning bright
        You know you got to burn

        Escorre pela mão, estilhaça pelo chão
        Vem o imponderável e te deixa sem
        Abraça a sorte, a morte não poupa ninguém
        E desconstruir, para progredir
        This is what it takes to be a man
        This is what it takes to be a human

        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Burning bright
        You know you got to burn bright
        Burning bright
        You know you got to burn

        Uplift yourself and don’t be a bum
        Cheer up yourself and have some fun
        Know that the things that ghetto youths face
        Everyday they get shot by the gun
        Learn by your mistakes my friends
        Don’t you ever go astray
        Because you see them set the trap everyday
        To make sure that the youths go a jail everyday

        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Easy road,
        Brother, there’s no easy road
        Burning bright
        You know you got to burn bright
        Burning bright
        You know you got to burn

        Pedro Pedreiro Parou de Esperar

        Nasci pobre, favelado, sem recato e sem madrinha
        Vi meu pai estuprar minha mãe, muito doido de farinha
        Logo cedo fui pro mundo, assaltar, catar latinha
        Tinha sangue nos meus olhos porque a raiva me convinha
        Cresci na rua e vi a crua crueldade do animal
        De cimento fiz a cama e de grades meu varal
        Desprovido e excluído no sentido literal
        Menos apto segundo o darwinista social
        Aos vinte veio a sorte num abrigo milagreiro
        Onde aprendi as letras e o ofício de pedreiro
        Acordava ainda escuro, no flagelo por dinheiro
        Não esperava do futuro o alívio derradeiro

        Construí um shopping onde eu nunca passeei
        Prédios e escolas onde eu nunca estudei

        Ao lado de Mariléia eu formei uma família
        E o amor que nunca tive, vi nos olhos da minha filha
        No mar competitivo meu lar era uma ilha
        Até que um dia o infortúnio cruzou a minha trilha
        Canelas pretas e blindados invadindo a favela
        Gritaria, moto-taxis, confronto na viela
        Um senhor de braços fortes como um escravo de Benguela
        Agonizava nos meus braços, alvejado na costela
        Toda a minha vida e o que vira até então
        Fez sentido nas palavras desse velho ancião
        “Vítimas e algozes, todos somos, todos são
        Nas metrópoles em chamas, irmão contra irmão”

        Não espero mais a morte, nem o norte nem o trem
        Eu me chamo Pedro, e você sou eu também

        Além

        Encontrar em si o além
        E transpor o mal e o bem
        Quando enxergo com amor
        A incerteza de quem sou

        Ergo os meus braços e meu coração
        Por cada grão
        E cada gota desse mar
        Glória à força viva que atua em mim!
        O bom e o ruim
        A Vida vem nos lapidar

        Encontrar em si o além
        E transpor o mal e o bem
        Quando enxergo com amor
        A incerteza de quem sou

        Ajoelho-me diante desse altar
        Conduza-me adiante, faz me par
        Dói quando nos mói ao depurar
        Cada teu herói que luta
        No quebrar das ondas, no rever dos fatos
        No pagar das contas, no lavar dos pratos
        E vê a multidão que corre, e se dissolve
        Cada ator que nasce, cumpre seu papel e morre
        Cada ator que nasce, cumpre seu papel e morre

        Ergo os meus braços e meu coração
        Por cada grão
        E cada gota desse mar
        Glória à força viva que atua em mim!
        O bom e o ruim
        A Vida vem nos lapidar

        We Are Terceiro Mundo

        Depois da bossa nova e do clichê tropical
        Muito mais do que novela, futebol e carnaval
        É a periferia multicultural
        Espontânea rebeldia de um Brasil marginal
        Polícia, milícia, medo e coerção
        Latifúndio da terra e da comunicação
        É o índio de Iphone, é o menino de Belém
        E a novinha de barriga pra ganhar outro neném
        Tem racismo? Tem. E um abismo, man
        Entre a cerveja artesanal e o camelô que vem no trem
        Esgoto a céu aberto, telha de amianto
        Tem padre, pastor, tem pajé e pai de santo
        A floresta sente o fel, o agrobusiness quer bis
        Do poder do anel na caneta do juiz
        Mas o instinto criativo dribla a sanha opressora
        Porque em terra de saci, qualquer chute é voadora

        São muitos os Brasis, perceba no sotaque
        Mas todos gritam juntos com a seleção no ataque
        Coxinha, petralha, Gregório, Constantino
        Sem água na torneira têm o mesmo destino
        De carona nos tratores do progresso inevitável
        Haja eucalipto e copinho descartável
        Se o Neymar é pica, se a Gisele é zica
        O deputado mais votado da eleição é o Tiririca
        Onde tudo se discute, menos a democracia
        Sequestrada e amputada, Saramago advertia
        A cultura cria, o mercado se apropria
        “Je suis Amarildô”, mas a justiça tem miopia
        O que não tem é derrotismo que abale a auto-estima
        Do mulato, bastardo, anti-herói, Macunaíma
        Bota água no feijão e afina o tamborim
        De cabeça erguida ostento o orgulho tupiniquim

        Hoan vs Hozin

        Música instrumental.

        Subindo Santa

        Não sei se foi o Haxi, só sei que foi confuso
        Não sei se me permito, não sei se me abuso
        É um desalento doido, é uma coisa assim que dá
        Preciso me esvair, preciso vomitar

        Vida, milagre mesmo quando te estraçalha
        Krishna e Arjuna estão no campo de batalha
        Aumento o som do fone pra tapar o da sirene
        E não há moral ou crença no mundo que me condene

        Penso na morte, no norte, no corte, no século XXI
        E que o moleque amarrado no poste, não come sashimi de atum
        Geração Gratidão, saudação ao Sol
        Sociedade dopada de Prozac e Rohypnol

        Inevitável são tristeza e aflição
        Mas triste é essa moda de angústia e depressão
        Porque Deus é verbo, não é substantivo
        Então enxuga esses olhos porque, mano, tu tá vivo!

        Eu quero é ver e ser visto, querer e ser quisto
        Sem culpa cristã, no amor de Jesus Cristo
        Quero a geladeira cheia, expressar-me por inteiro
        Às vezes mais Chorão, às vezes mais Camelo

        Tá tudo por um fio, tá tudo por um triz
        E todo ser humano quer amar e ser feliz
        Por isso nego samba, brinca, queima sutiã
        Por isso tá explicado o sucesso do Instagram

        Mondrian, Matisse, Basquiat e Soulages
        Churrasquinho de peixe com a rapeize na laje
        Massagem da gata, pimenta, proposta
        E um tapinha na bunda, com carinho ela gosta

        Eu quero tudo isso, quero vê geral crescer
        Quero ver geral se amando, tipo em onda de MD    
        Não é inconsequência, nem rebeldia vã
        Mas só por hoje a noite, que se foda o amanhã

        Tanto pt. Alexandre Carlo

        Quanto,
        Ele e ela e o gosto do encanto
        Puro acaso escrito entre tantos
        Deixa a Vida unir ou separar

        Tanto, depois de um dia de gala
        Janeiro banhava a cidade
        Com o hálito fresco da noite
        E o céu tropical cintilava

        Saíram pra rua sorrindo
        O show prometia o bailado
        De almas que, interagindo,
        Viviam o seu bronzeado

        Dos copos na mão, aos corpos ao chão
        Mostrando a intenção, não tinham noção do

        Quanto,
        Ele e ela e o gosto do encanto
        Puro acaso escrito entre tantos
        Deixa a Vida unir ou separar

        Tanto, na hora em que o brilho dos olhos
        Diz muito mais do que os lábios
        E fluem por todos os poros
        Hormônios sinceros e sábios

        A sede do instinto pedindo
        Transcende o certo e o errado
        E o Amor que se basta existindo
        Não tem que ser justificado

        Num quarto pra dois, verdade é o que sois
        A Lua se pôs, o que vem depois?

        Quanto,
        Ele e ela e o gosto do encanto
        Puro acaso escrito entre tantos
        Deixa a Vida unir ou separar

        Jaya

        Jaya!

        E se der sol de manhã, é praia
        Se der lua de noite, é faya!
        Minha fé, minha guardiã

        Fogo, que arde, angustia
        Vida, milagre, que recria
        Tempo é remédio, anistia
        Certo é que não há garantia

        E eu, desconstruindo eu
        E nós

        Jaya!
        E se der sol de manhã, é praia
        Se der lua de noite, é faya!
        Minha fé, minha guardiã
        Jaya!
        Antes que a humanidade caia
        Corre o mundo e bota a cara
        Porque não existe amanhã

        Arte, que cobra ousadia
        Mundo é palco, poesia
        Vento Sudoeste anuncia
        “Faz teu melhor e confia”

        E eu, desconstruindo eu
        E nós

        Jaya!
        E se der sol de manhã, é praia
        Se der lua de noite, é faya!
        Minha fé, minha guardiã
        Jaya!
        Antes que a humanidade caia
        Corre o mundo e bota a cara
        Porque não existe amanhã