Segue o Baile

Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

O agora é a única coisa que vale

Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile


Segue o baile, segue a vibe até o amanhecer

Que momento! No talento, faz por merecer

Troca o disco, corre o risco, e vamo sem dublê

À mercê do que não se pode prever


A massa reunida é um lazer só

Vagabundo se diverte on the floor

Seguindo a embolada, vai no reggae, vem no ragga,

Grajamaica na pegada hardcore

Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

O agora é a única coisa que vale

Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile


Segue o baile, segue a vibe, nous sommes arrivés

E a danada da cachaça é massa, faz arder

Eu respeito e dou direito a quem quer karatê

Mas eu só fico no thc

A massa reunida é o estopim

Vale muito mais que ouro e marfim

Fluindo na jornada, não se compra, não se paga

A emoção que diz: “Ainda bem que eu vim”


Escrevo porque não tenho o dom do freestyle

Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale

O agora é a única coisa que vale

Se erra, conserta, volta pro tom, e segue o baile

Oxalá

Subi a escadaria para me benzer
E pedi ajuda para Oxalá
Consultei os astros para entender
Lua cheia, eu me batizei no mar

Habeas Corpus moral, apneia mental
Imperativo espiritual
O fogo queima, o coral corta
Se não há risco a criatura é morta
Só você pode se conhecer
Seu equilíbrio, sua verdade
Se aquele instinto é uma necessidade
E a trindade nesse trinômio:
Você, seus anjos e seus demônios

Subi a escadaria para me benzer
E pedi ajuda para Oxalá
Consultei os astros para entender
Lua cheia, eu me batizei no mar

O que eu estou fazendo da minha vida?

O que eu estou fazendo da minha vida?
Lambendo a carne viva com o dedo na ferida
Brindando a existência e aprendendo a distinguir
A hora de refrear, a hora de transgredir
Chorando minhas dores, moldando meus valores
Tacou pedra, finto a pedra. Tacou flores, voltam flores
É uma linha tênue, é menos que um semitom
Quando o bom não é o certo, quando o certo não é bom

Subi a escadaria para me benzer
E pedi ajuda para Oxalá
Consultei os astros para entender
Lua cheia, eu me batizei no mar

Ah minha vida toda! Um ato de desapego
Do corpo, do casamento, do parente, do emprego
Fé é confiança, no que quer que se invista
Tem fé o ateu, tem fé o cientista
Me curvo humildemente ante aquilo que não sei
Acredito no Amor, ganho o jogo no fair play
Só não espero a providência pra encontrar a minha essência
Pois não há um salvador que nos tire essa incumbência

Subi a escadaria para me benzer
E pedi ajuda para Oxalá
Consultei os astros para entender
Lua cheia, eu me batizei no mar

Normal pt. Monkey Jhayam

Quebrando paradigma para não ficar dormente
Diante do enigma ou mero acidente
Nossa força é digna, é o elo da corrente

Sorte,
Na disposição a gente dropa e põe no corte
Sangue e suor vêm incluídos no pacote
Tamo protegido e atento ao rebote
Rio de Janeiro, parceiro, tem que ter

Sorte,
Mesmo sendo ateu tu pode crer que o santo é forte
Moro lá na sul, mas com sangue da zona norte
Bonde onde o lema é independência ou morte
Rio de janeiro, parceiro, é

Normal, chega na humilde que é tratado igual
Ligação direta que não tem ramal
Sente a atmosfera, relaxa se pá espera
Vem com garra e na cautela, aí fera, não leve à mal

Normal, chega na humilde que é tratado igual
Ligação direta que não tem ramal
Sente a atmosfera, o surdo que reverbera
Tipo a série em Zicatela, é à vera, é normal

Quebrando paradigma para não ficar dormente
Diante do enigma ou mero acidente
Nossa força é digna, é o elo da corrente

Rio de Janeiro, São Paulo, Brasil
Palavra que fere mais que bala de fuzil
Munição no pente, pronto para atirar
Se apertar o gatilho não tem volta
Puro Faya! Levando a mensagem no hardcore ou no naya
Contra o sistema que ramela e só da falha
Mira direcionada pra toda maracutaia
Com nós e no fio da navalha
Brasa viva que queima a babylon
Se espalha como lava de vulcão
Fogo ardente que dispara o canhão
Trazendo autoestima para todos irmãos
Saia, esse jogo político te leva ao nada
Nossa música crava estaca no vampaia
Toda a corja do mal que quer ver meu povo na lama
Nunca possuirão nossa alma

Quebrando paradigma para não ficar dormente
Diante do enigma ou mero acidente
Nossa força é digna, é o elo da corrente

Rema!
O ser é um artista e a vida é seu poema
E essa mesma vida é curta pra ser pequena
Dentro dele próprio está a chave da algema
Tamo nessa GIG, então vive, se joga e

Rema!
Vou dançar descalço na brasa da Mãe suprema
Mando ir embora a culpa que envenena
Tá tudo perdoado, sintonizo minha antena
Calma no terreiro, guerreiro, que é

Normal, chega na humilde que é tratado igual
Ligação direta que não tem ramal
Sente a atmosfera, relaxa se pá espera
Vem com garra e na cautela, aí fera, não leve à mal

Normal, chega na humilde que é tratado igual
Ligação direta que não tem ramal
Sente a atmosfera, o surdo que reverbera
Tipo a série em Zicatela, é à vera, é normal

Quebrando paradigma para não ficar dormente
Diante do enigma ou mero acidente
Nossa força é digna, é o elo da corrente

Embrasa

E eu vou pra Maracangalha
Bailar depois da batalha
E eu vou pra Maracangalha
Viver e fazer que valha

Embrasa, sente em casa, que tá bom pra mim
Passa bola, não enrola que hoje eu tô afim
Abre a roda que tá foda, vai mexendo assim
Arrasta a sandália e vai no passim
Se afasta energia nefasta
Que o tempo se arrasta pro fim
Se mostra com a alma exposta
Não espere resposta de mim
Já basta de canalha e coisa ruim
Morde a faca, pé na jaca
E vai descendo assim
Eu me perco quando ela mexe o bumbumbum
Se o amigo tá zerado faz um ratatá
E se os homi vem e chegam é um zumzumzum
E falar mal do sistema é um pega pra capar

E eu vou pra Maracangalha
Bailar depois da batalha
E eu vou pra Maracangalha
Viver e fazer que valha

A vida tá sofrida pros sem abadá
Cruel é o aluguel e as contas pra pagar
Pesado o mercado e o IPCA
Mas me esforço, tudo nosso, sem colher de chá
Artista terceiro mundista
O som é pra pista embrasar
Ô glória! Façamos história
Que a nossa vitória é pra já
Porque estar vivo é motivo pra comemorar
Em frente, bravamente, que pra trás não dá

E é só alegria se o bagulho é do bom
Lá do baile em Madureira ao barzim no Leblon
Quero ver acelerar e acompanhar o debom
Porque quase todo dia é dia de réveillon

E eu vou pra Maracangalha
Bailar depois da batalha
E eu vou pra Maracangalha
Viver e fazer que valha

Easy Road pt. Mikal Rose

Easy road,
Brother, there’s no easy road
Easy road,
Brother, there’s no easy road
Burning bright
You know you got to burn bright
Burning bright
You know you got to burn

Escorre pela mão, estilhaça pelo chão
Vem o imponderável e te deixa sem
Abraça a sorte, a morte não poupa ninguém
E desconstruir, para progredir
This is what it takes to be a man
This is what it takes to be a human

Easy road,
Brother, there’s no easy road
Easy road,
Brother, there’s no easy road
Burning bright
You know you got to burn bright
Burning bright
You know you got to burn

Uplift yourself and don’t be a bum
Cheer up yourself and have some fun
Know that the things that ghetto youths face
Everyday they get shot by the gun
Learn by your mistakes my friends
Don’t you ever go astray
Because you see them set the trap everyday
To make sure that the youths go a jail everyday

Easy road,
Brother, there’s no easy road
Easy road,
Brother, there’s no easy road
Burning bright
You know you got to burn bright
Burning bright
You know you got to burn

Pedro Pedreiro Parou de Esperar

Nasci pobre, favelado, sem recato e sem madrinha
Vi meu pai estuprar minha mãe, muito doido de farinha
Logo cedo fui pro mundo, assaltar, catar latinha
Tinha sangue nos meus olhos porque a raiva me convinha
Cresci na rua e vi a crua crueldade do animal
De cimento fiz a cama e de grades meu varal
Desprovido e excluído no sentido literal
Menos apto segundo o darwinista social
Aos vinte veio a sorte num abrigo milagreiro
Onde aprendi as letras e o ofício de pedreiro
Acordava ainda escuro, no flagelo por dinheiro
Não esperava do futuro o alívio derradeiro

Construí um shopping onde eu nunca passeei
Prédios e escolas onde eu nunca estudei

Ao lado de Mariléia eu formei uma família
E o amor que nunca tive, vi nos olhos da minha filha
No mar competitivo meu lar era uma ilha
Até que um dia o infortúnio cruzou a minha trilha
Canelas pretas e blindados invadindo a favela
Gritaria, moto-taxis, confronto na viela
Um senhor de braços fortes como um escravo de Benguela
Agonizava nos meus braços, alvejado na costela
Toda a minha vida e o que vira até então
Fez sentido nas palavras desse velho ancião
“Vítimas e algozes, todos somos, todos são
Nas metrópoles em chamas, irmão contra irmão”

Não espero mais a morte, nem o norte nem o trem
Eu me chamo Pedro, e você sou eu também

Além

Encontrar em si o além
E transpor o mal e o bem
Quando enxergo com amor
A incerteza de quem sou

Ergo os meus braços e meu coração
Por cada grão
E cada gota desse mar
Glória à força viva que atua em mim!
O bom e o ruim
A Vida vem nos lapidar

Encontrar em si o além
E transpor o mal e o bem
Quando enxergo com amor
A incerteza de quem sou

Ajoelho-me diante desse altar
Conduza-me adiante, faz me par
Dói quando nos mói ao depurar
Cada teu herói que luta
No quebrar das ondas, no rever dos fatos
No pagar das contas, no lavar dos pratos
E vê a multidão que corre, e se dissolve
Cada ator que nasce, cumpre seu papel e morre
Cada ator que nasce, cumpre seu papel e morre

Ergo os meus braços e meu coração
Por cada grão
E cada gota desse mar
Glória à força viva que atua em mim!
O bom e o ruim
A Vida vem nos lapidar

We Are Terceiro Mundo

Depois da bossa nova e do clichê tropical
Muito mais do que novela, futebol e carnaval
É a periferia multicultural
Espontânea rebeldia de um Brasil marginal
Polícia, milícia, medo e coerção
Latifúndio da terra e da comunicação
É o índio de Iphone, é o menino de Belém
E a novinha de barriga pra ganhar outro neném
Tem racismo? Tem. E um abismo, man
Entre a cerveja artesanal e o camelô que vem no trem
Esgoto a céu aberto, telha de amianto
Tem padre, pastor, tem pajé e pai de santo
A floresta sente o fel, o agrobusiness quer bis
Do poder do anel na caneta do juiz
Mas o instinto criativo dribla a sanha opressora
Porque em terra de saci, qualquer chute é voadora

São muitos os Brasis, perceba no sotaque
Mas todos gritam juntos com a seleção no ataque
Coxinha, petralha, Gregório, Constantino
Sem água na torneira têm o mesmo destino
De carona nos tratores do progresso inevitável
Haja eucalipto e copinho descartável
Se o Neymar é pica, se a Gisele é zica
O deputado mais votado da eleição é o Tiririca
Onde tudo se discute, menos a democracia
Sequestrada e amputada, Saramago advertia
A cultura cria, o mercado se apropria
“Je suis Amarildô”, mas a justiça tem miopia
O que não tem é derrotismo que abale a auto-estima
Do mulato, bastardo, anti-herói, Macunaíma
Bota água no feijão e afina o tamborim
De cabeça erguida ostento o orgulho tupiniquim

Hoan vs Hozin

Música instrumental.

Subindo Santa

Não sei se foi o Haxi, só sei que foi confuso
Não sei se me permito, não sei se me abuso
É um desalento doido, é uma coisa assim que dá
Preciso me esvair, preciso vomitar

Vida, milagre mesmo quando te estraçalha
Krishna e Arjuna estão no campo de batalha
Aumento o som do fone pra tapar o da sirene
E não há moral ou crença no mundo que me condene

Penso na morte, no norte, no corte, no século XXI
E que o moleque amarrado no poste, não come sashimi de atum
Geração Gratidão, saudação ao Sol
Sociedade dopada de Prozac e Rohypnol

Inevitável são tristeza e aflição
Mas triste é essa moda de angústia e depressão
Porque Deus é verbo, não é substantivo
Então enxuga esses olhos porque, mano, tu tá vivo!

Eu quero é ver e ser visto, querer e ser quisto
Sem culpa cristã, no amor de Jesus Cristo
Quero a geladeira cheia, expressar-me por inteiro
Às vezes mais Chorão, às vezes mais Camelo

Tá tudo por um fio, tá tudo por um triz
E todo ser humano quer amar e ser feliz
Por isso nego samba, brinca, queima sutiã
Por isso tá explicado o sucesso do Instagram

Mondrian, Matisse, Basquiat e Soulages
Churrasquinho de peixe com a rapeize na laje
Massagem da gata, pimenta, proposta
E um tapinha na bunda, com carinho ela gosta

Eu quero tudo isso, quero vê geral crescer
Quero ver geral se amando, tipo em onda de MD    
Não é inconsequência, nem rebeldia vã
Mas só por hoje a noite, que se foda o amanhã

Tanto pt. Alexandre Carlo

Quanto,
Ele e ela e o gosto do encanto
Puro acaso escrito entre tantos
Deixa a Vida unir ou separar

Tanto, depois de um dia de gala
Janeiro banhava a cidade
Com o hálito fresco da noite
E o céu tropical cintilava

Saíram pra rua sorrindo
O show prometia o bailado
De almas que, interagindo,
Viviam o seu bronzeado

Dos copos na mão, aos corpos ao chão
Mostrando a intenção, não tinham noção do

Quanto,
Ele e ela e o gosto do encanto
Puro acaso escrito entre tantos
Deixa a Vida unir ou separar

Tanto, na hora em que o brilho dos olhos
Diz muito mais do que os lábios
E fluem por todos os poros
Hormônios sinceros e sábios

A sede do instinto pedindo
Transcende o certo e o errado
E o Amor que se basta existindo
Não tem que ser justificado

Num quarto pra dois, verdade é o que sois
A Lua se pôs, o que vem depois?

Quanto,
Ele e ela e o gosto do encanto
Puro acaso escrito entre tantos
Deixa a Vida unir ou separar

Jaya

Jaya!

E se der sol de manhã, é praia
Se der lua de noite, é faya!
Minha fé, minha guardiã

Fogo, que arde, angustia
Vida, milagre, que recria
Tempo é remédio, anistia
Certo é que não há garantia

E eu, desconstruindo eu
E nós

Jaya!
E se der sol de manhã, é praia
Se der lua de noite, é faya!
Minha fé, minha guardiã
Jaya!
Antes que a humanidade caia
Corre o mundo e bota a cara
Porque não existe amanhã

Arte, que cobra ousadia
Mundo é palco, poesia
Vento Sudoeste anuncia
“Faz teu melhor e confia”

E eu, desconstruindo eu
E nós

Jaya!
E se der sol de manhã, é praia
Se der lua de noite, é faya!
Minha fé, minha guardiã
Jaya!
Antes que a humanidade caia
Corre o mundo e bota a cara
Porque não existe amanhã

Ande

Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
Coragem no incerto do universo que se expande

Bora, nego! Bora que a Vida anda pra frente
E se ficar pequeno pra gente
A Caravana caminhará
É os pirraia na praia, mandando rabo-de-arraia
Ligeiro tipo Jiraya, é pique nosso
Vivendo a Vida no talo, bebendo Amor no gargalo
Eu agradeço: “Mahalo!”, faço o que posso

Balança, balança, mas não cai
E avança na dança, mas não cai
Balança, balança, balança, balança, não cai
E avança na dança, a esperança na andança que vai, então

Ande
Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
Coragem no incerto do universo que se expande

Quando nego chora pesado é pra ficar leve
É por alguma coisa que eleve
A criatura é criadora
Patriarcado, família, bagulho sério na Síria
Televisão bota pilha, ma people cry
Periferia resiste, quando o sotaque persiste
Pois tudo aquilo que existe, you can’t deny

Balança, balança, mas não cai
E avança na dança, mas não cai
Balança, balança, balança, balança, não cai
Avança na dança, e esperança na andança que vai, então

Ande
Não pare de mexer pra pra que a massa não desande
Confiante que Jah Jah nos guie e nos comande
Coragem no incerto do universo que se expande

Selecta

Geral tá convocado hoje tem sessão
Selecta ligado, faz a transição
Cê é loko! Que bailado, desacreditei
Só o nectar lançado, chama no delay
O grave quanto bate levanta o mulão
Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
Geral tá convocado hoje tem sessão
É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

Quando cai a noite, cada coração
Pede poesia, pede mais que pão
É transpirando a existência, que é pra dar vazão
Tristeza e aflição não pagam conta não
Quero saúde e paz, o resto eu corro atrás
Sei que a consciência cobra, e é o maior dos tribunais

Quero é Vida! Vida vivendo em nós
Na batida, em melodia e voz

Geral tá convocado hoje tem sessão
Selecta ligado, faz a transição
Cê é loko! Que bailado, desacreditei
Só o nectar lançado, chama no delay
O grave quanto bate levanta o mulão
Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
Geral tá convocado hoje tem sessão
É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

Só chegar chegando, chega no riddim
Sempre respeitando quem não tá afim
Coloca um auto-falante e a gente faz motim
Redimindo a rua, nego não tem fim
Dançando dance hall, depois do por do sol
Porque só misturando tudo haverá o overall

E a Vida! Vida vivendo em nós
Na batida, em melodia e voz

Geral tá convocado hoje tem sessão
Selecta ligado, faz a transição
Cê é loko! Que bailado, desacreditei
Só o nectar lançado, chama no delay
O grave quanto bate levanta o mulão
Quem tá perto da caixa sente mais a pressão
Geral tá convocado hoje tem sessão
É brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão

Moldado em Barro

Moldado em barro eu vim
Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
É o que eu digo pra mim
Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
Com rima ou sem rima o refrão
O sangue latino deixa genuíno o som
Guerreiro na Babylon
Talha seu destino, é por desatino ou não

Lokitran, sedafô, hoje eu não vou marfu
Dodiban, cialipô, vi no Grajaú
Online desde 83, índio, negro e português
Vi tijolo, vi traçante, vi asfalto, vi porquês
Graças a Deus tive casa e colégio
Aqui no Brasil isso é privilégio
Pra classe média do play desse prédio
Pensar coletivo não é o remédio
Tupi tava aqui antes da caravela
Zumbi nunca vi de camisa amarela
A escravidão ainda deixa sequela
Quem vive a mazela da sela é a favela

Moldado em barro eu vim
Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
É o que eu digo pra mim
Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
Com rima ou sem rima o refrão
O sangue latino deixa genuíno o som
Guerreiro na Babylon
Talha seu destino, é por desatino ou não

Très bien, meu amor, honey, mon amour
De manhã trovoou com o céu azul
Parada paradoxal, figurado ou literal
Eu e tu de urucum pra estourar no carnaval
São Sebastião tem floresta e granito
Ostentação eu não acho bonito
Subversivo é um pobre erudito
Vitória mental não se ganha no grito
Se perde o foco ou se bate o vazio
Água salgada renova teu brio
Na frente do bloco ou do lado do trio
Pra ser feliz não precisa elogio

Moldado em barro eu vim
Pra varrer poeira, pra descer ladeira inteira
É o que eu digo pra mim
Lenha na fogueira, que ela é derradeira sim
Com rima ou sem rima o refrão
O sangue latino deixa genuíno o som
Guerreiro na Babylon
Talha seu destino, é por desatino ou não

Ela me chamou para dançar um ragga

Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

Sumiu todo mundo, só nós no salão
Colado sentia a sua respiração
Suou a parede, fez tremer o chão
Sintonia fina que dispensa explicação
Cheia de ironia, me deixou sem graça
Gengibre e Gabriela em frente ao Bar da Cachaça
Recitou Pessoa, falou de Bakunin
Ela é o presente que o acaso deu pra mim

E aumentou o meu tesão na vida
Poder de agir, o meu elã vital
Não tenho medo dessa despedida
Por mim não tem final, porque

Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

Puro equilíbrio, só fuma quando bebe
Definitivamente esse gata não é lebre
Ela é pra frente, e me põe pra cima
Repõe minhas reservas de pura serotonina
Ela é legalize, evolucionista
Acho que acabaram os meus dias de pista
Ouve dubwise, Milton, Tom Jobim
Ela é o presente que o acaso deu pra mim

E aumentou o meu tesão na vida
Poder de agir, o meu elã vital
Não tenho medo dessa despedida
Por mim não tem final

Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom que ela mexeu com a pessoa errada
Ela me chamou para dançar um ragga
Que bom, meu Deus, que bom que ela mexeu

Tijolo por tijolo

Laje de cimento, teto de estrela
Sopra aquele vento pela janela
Sob o firmamento posso encontrá-la
Vê-la viva ali, naquela viela

A carne é só a carne, e um dia apodrece
Forte é a jangada, eterna é a prece
Quando vê nascer, dentro do seu ser
É justo temer, mas não vou fugir

Na força do meu protetor
Xangô ou Senhor do Bonfim
Tijolo por tijolo eu vou
E que o destino venha em mim

A natureza grita, a espécie procria
Muita trêta, fita, dor e alegria
Quem pula o portão? Quem morde a parede?
Isopor, Litrão, que o povo tem sede

Tomara que um dia, que um dia meu deus tomara
Tomara que o destino olhe dentro da minha cara
Quando vir nascer, dentro do meu ser
Posso até temer, mas não vou fugir

Na força do meu protetor
Xangô ou Senhor do Bonfim
Tijolo por tijolo eu vou
E que o destino venha em mim

Chão Chão Terra Terra

Amor não tem sinônimo
Alma não tem gênero
Poder não é virtude
E a vida é sopro efêmero
Chão, Chão. Terra, Terra
O ser humano erra

Chão, Chão. Terra, Terra
O ser humano erra
Macaco semideus, que ama os seus
E faz a guerra
No vagão lotado, o artista improvisa
Telas planas te vendendo o que você não precisa
No vagão lotado, angústia não tem cor
É rosto cansado, esperança e camelô
Uns querem viver, batalhar e crescer
Outros tem prazer em ver neguinho perder
Pensamento limitado, chame como for
Espírito de porco no chiqueiro do rancor
Contra qualquer perverso é rajada de verso
E a fé inabalável na justiça do universo

Amor não tem sinônimo
Alma não tem gênero
Poder não é virtude
E a vida é sopro efêmero
Chão, Chão. Terra, Terra
O ser humano erra

Pré-conceito e Pós-verdade
No gueto e no gold, a vida arde
Liquida modernidade, encruzilhada
Nem a máscara mais cara não mascara nada
Onde filho chora e a mãe chora junto
Aos 12 um moleque já cansou de ver defunto
E de barriga vazia, não tem ideologia
Nada a perder, nem por favor e nem bom-dia
Quando você chora e não sai lágrima
Quando você grita e não sai som
Quando você vai e vira a página
Constrói seu propósito, seu dom

Amor não tem sinônimo
Alma não tem gênero
Poder não é virtude
E a vida é sopro efêmero
Chão, Chão. Terra, Terra
O ser humano erra

Dubrasilis

Música instrumental.

Racha Canela

A noite vai e a estação dá o tom
No funk, dub, ragga ou no reggaeton
Racha canela e vai perdendo o batom
E é só colar que aqui ninguém fica alone

Então vem, vem trocar seu calor
Pois, meu bem, não há tempo pra dor
No meio da multidão
A dança é oração

Não tem pulseira, nem crachá, nem log-in
Fala Tupi, Iorubá ou Latim
Simples assim: não é não, sim é sim
Cuido de tu e você cuida de mim

Então vem, vem trocar seu calor
Pois, meu bem, não há tempo pra dor
No meio da multidão
A dança é oração

Sem neurose,
É a batida que te causa hipnose
É o som do sub, samba, soul, simbiose
Subliminando essa terra em transe
Quando a semente brota
É cor que não desbota
Aprendo na derrota
A linha dela é torta
Tem os NÃO que a Vida dá, e as coisas por viver
Faz o corre e vamo lá, não perco tempo de blasé
O mundo se acabando e a gente vai, vai, vai
Vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie
Toda babilônia um dia cai, cai, cai
Vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie

Então vem, vem trocar seu calor
Pois, meu bem, não há tempo pra dor
No meio da multidão
A dança é oração

Exército sem farda - Sister Nancy

Não,
A nossa vitória não vai ser em vão
O exército sem farda tá na contenção
Sem líder, sem fronteira, só o coração
One, each one teach one
Each one teach one
 
Se a nossa tropa cai, levanta e segue adiante
Pelotão de frente, pensamento dissonante
Marchamos calmamente, não paramos um instante
Força não armada, o bom senso é o comandante

Vamos com paciência e constância na missão
Somos da resistência, não cedemos à pressão
O sábio combatente traz na mente a munição
Somos da resistência e não cedemos

Não,
A nossa vitória não vai ser em vão
O exército sem farda tá na contenção
Sem líder, sem fronteira, só o coração
One, each one teach one
Each one teach one

I say love is the key, love is the answer
Love is the answer and no war can’t conquer
Live the life you love, and I say love the life you live
As Jah have the mind to give
I say patient man ride donkey
Rasta no need no anky panky
Sing and tell them
Tell then this is Sister Nancy

Vamos com paciência e constância na missão
Somos da resistência, não cedemos à pressão
O sábio combatente traz na mente a munição
Somos da resistência e não cedemos

Não,
A nossa vitória não vai ser em vão
O exército sem farda tá na contenção
Sem líder, sem fronteira, só o coração
Each one teach one
Each one teach one

No one is better than no one
No man is no different from no one
Each one teach one
Each one teach one

Qual é o rosto de Deus

A Trama do Tempo, a carne viva e a ferida
Não sei se a vida é justa, mas tá aí pra ser vivida
Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde
Enquanto um problema for uma oportunidade

Vento Sudoeste que acinzenta a paisagem
Trás a frente fria e à chuva dá passagem
Sei bem porque vieste, há muito eu já sabia
Nem tudo é céu azul e há também melancolia

Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
(Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

Ô, Luz!
É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
Diz pra mim qual é o rosto de Deus
Talvez seja o seu, talvez seja o meu
Ô, Nada! Ô, Tudo! Ô, Luz!

Como se você já houvesse perdido tudo
Mesmo se no fundo nunca houvesse tido nada
Despido do escudo e de uma tonelada
Um sofrimento agudo, ferida cicatrizada

Tudo sempre certo, quase nada resolvido
Com rima ou sem rima, pra encontrar o seu motivo
Lutar por uma causa, amar, criar um filho
Compreender o ego ou buscar o próprio brilho

Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
(Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

Ô, Luz!
É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
Diz pra mim qual é o rosto de Deus
Talvez seja o seu, talvez seja o meu
Ou nada, ou tudo, ou luz

Viver com a urgência de que houvesse uma só vida
E a paciência leve de que a Vida é infinita
Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde
Enquanto um problema for uma oportunidade

Quero poesia que preencha o meu peito
Pra me provocar, pra perceber o meu defeito
Uma poesia pra fortalecer a meta
Aquilo que te faça acelerar a bicicleta


Cada um é o que sobrou de ontem, o que juntou de tudo
Diretor, protagonista e roteirista do seu mundo
(Sem) vítima ou culpado, castigo ou recompensa
Esteja em nós o nosso reino, perdoai-nos tanta ofensa

Ô, Luz!
É um milagre, um teste, um sonho, uma cruz
Diz pra mim qual é o rosto de Deus
Talvez seja o seu, talvez seja o meu
Ô, Nada! Ô, Tudo! Ô, Luz!