Braza

Release

O teclado de Vitor Isensee faz papel de sirene, abrindo caminho para o scratch do DJ Negralha, que entra em cena, cutucando a bateria, forte e cheia de tentáculos de Nícolas Christ. Na sequência, a guitarra de Danilo Cutrim e o baixo de Pedro Lobo alongam-se, dialogando com os metais, conduzindo a marcação funky até a chegada da flauta, docemente jazz, de Lelei Gracindo. Juntos, todos compõem os periódicos elementos do flamejante tema instrumental “Hoan vs Hozin” e passam o recado da melhor forma possível: o Braza vem quente e está fervendo.

(Re)Nascido das cinzas do Forfun – um marco da cena hardcore/funk/pop dos anos 2000, que, segundo a “Vice”, “impregnou uma geração inteira com positividade e boas vibrações” -, o grupo carioca, formado por Cutrim, Christ e Isensee, mantém a química do seu passado e avança, num salto evolutivo, no seu homônimo álbum de estréia. No novo conteúdo, riffs de rock se combinam com elementos de reggae, soul e hip-hop, gerando a forte ligação que define o Braza.

- Não paramos exatamente o Forfun para fazer o Braza. Vivíamos numa produção contínua, mas chegou um momento em que entendemos que, depois de 14 anos, era hora de fechar um ciclo e partir para outro caminho – explica Cutrim, que ocupa também o posto de vocalista. – Nos últimos tempos, o Forfun já estava buscando novas linguagens. O que fizemos foi filtrar esses experimentos e priorizar elementos que deveriam encabeçar o novo projeto.

Indo além da formação power-trio, Cutrim, Christ e Isensee conquistaram reforços importantes para esquentar seu trabalho. Pedro Garcia, por exemplo, chegou para gravar o disco, produzido pela própria banda e mixado por Garcia e por Mario Caldato Jr.

- O Pedro foi fundamental. Fizemos uma pré-produção bastante intensa e chegamos no estúdio com um material já bem definido, inclusive nas letras. Ele nos ajudou muito nos detalhes, como o acerto de timbres – conta Cutrim. - E ter o Mario Caldato Jr na mixagem foi um sonho.

Primeira música composta para o novo projeto, “Segue o baile” abre o disco, como um cartão de visitas do Braza. “Escrevo porque não tenho o dom do freestyle/Ela quebra, requebra, remexe ao som do timbale/O agora é a única coisa que vale/Se erra, conserta, volta pro tom e segue o baile”, diz a letra, no embalo de um riddim jamaicano. Na sequência, o groove pulsante de “Oxalá” descarrega uma espiritualidade aberta (“Tem fé o ateu, tem fé o cientista/Me curvo humildemente antes aquilo que não sei”) em contraponto aos obscuros arautos da intolerância religiosa.

Alexandre Carlo, do Natiruts, em “Tanto”, e o MC Monkey Jhayman, em “Normal”, marcam o time dos reforços, que inclui também o trombone de Marlon Sette, a voz de Gabriela Riley, a percussão de Pacato e os teclados de Donatinho, entre outros. No setor de importações, o brilho fica com a presença estelar de Michael Rose, hoje Mykal Rose, ex-vocalista do lendário grupo jamaicano Black Uhuru, em “Easy Road”.

- Mandamos um email para ele, todo respeitoso, explicando o significado da letra, essa coisa de que não há caminhos fáceis. E ele não apenas curtiu, como entrou na onda, completando a letra com suas falas – revela Cutrim.

Esse caminho sem facilidades talvez possa ser simbolizado pelo vídeo do single que puxa o álbum, o poderoso reggae “Embrasa”. Nele, a banda aparece misteriosamente entrecortada por flashes de operários em greve, dançarinas encapuzadas, sanfoneiros, figuras de vodu, rastas, faixas de proteção e enormes caixas de som. Enquanto a mente, hipnotizada, processa e tenta decifrar as imagens, um trecho da letra ajuda a entender a jornada proposta pelo Braza: “Em frente, bravamente, que pra trás não dá”.

Carlos Albuquerque


Ficha Técnica

BRAZA:
Nícolas Christ – Bateria
Danilo Cutrim – Guitarra e Voz
Vitor Isensee – Teclado e Voz

Gravado por Pedro Garcia durante Outubro e Novembro de 2015 no estúdio Cantos do Trilho, Santa Teresa, Rio de Janeiro.Teclados adicionais gravados no estúdio SynthLove, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Mixado por Pedro Garcia no estúdio Garcia Mix Room, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
Exceto “Embrasa” e “Oxalá”, mixadas por Mario Caldato Jr no estúdio MCJ Sound, Los Angeles, California.

Masterizado por Chris Hanzsek no estúdio Hanzsek Audio, Snohomish, Washington.

Michael Rose – Voz em “Easy Road”
Alexandre Carlo – Voz em “Tanto”
Monkey Jahyam – Voz em “Normal”
Eduardo Marinho – Intro em “Pedro Pedreiro Parou de Esperar“

Pedro Lobo – Baixo
Lelei Gracindo – Saxofone
Diogo Gomes – Trompete
Marlon Sette – Trombone
Gabriela Riley – Voz e Backing Vocals em “Easy Road”, “Jaya” e “Tanto”
Donatinho – Teclados adicionais em “Hoan vs. Hozin”
Pacato – Percussão
DJ Negralha – Scratchies

Identidade visual e desenvolvimento de conceito por Vagner Donasc, Marcel Gonçalves e Braza.

Todas as músicas compostas por Braza, exceto:
“Easy Road” por Braza e Michael Rose
“Normal” por Braza e Monkey Jahyam

Todas as músicas editadas por Mutirão Edições.